Melhor Impossível


Eu não lembro de muitas coisas da minha infância. Lembro da minha primeira volta de bicicleta, lembro da minha primeira aula de musica, lembro de correr no mato com meu pai e querer brincar de Tarzan, lembro de como era difícil alcançar os copos naquele armário gigante pra tomar nescau, lembro do numero da nossa casa, e do cachorro que pulava tanto. Lembro de quando compramos a nossa casa e a água da piscina estava verde, a grama tão alta e descuidada que podia entrar nela fingindo que estava tendo uma aventura e minha mãe perdendo horas pra livrar minha roupa dos “pega-pegas” e “carrapichos”. Mas são tudas lembranças pela metade, coisas que nos contam e re-contam e não sabemos mais se a memoria é real, ou apenas um desenho que criamos ao longo dos anos. Aposto que a grama não era tão alta quando eu gosto de lembrar.

Mas eu tenho certeza da minha primeira lembrança do Mathias. Aquele ser estranho, rindo muito na cama dos meus pais. E a primeira coisa q ele fez foi bater as pernas e chutar para todos lados: me acertou em cheio e fui chorar com minha mãe. MINHA mãe :p
Minha infância se baseou nele, e é incrível como a vida passa depressa, não acham? Um dia ainda interrompia minhas festas pedindo a todos pra brincarmos de esconde-esconde, conquistando o coração das meninas que prometiam se congelar até ele crescer. Noutro, já cuidava de mim na noite e ensinava sobre as coisas mais simples que sozinhos não podemos ver. A pouco ainda me via escolhendo palavras mais fáceis ao falar com ele, pois “o irmãozinho não entende”. Ainda me surpreendo da minha ingenuidade.
Indo e vindo, brigando e cantando, nos vamos acompanhando nesse dia a dia louco que só nós mesmo poderíamos entender. Tão diferentes, e ao mesmo tempo tão iguais. Da mesma forma, de outro caminho, mas percorrido lado a lado, poucas folgas para a saudade, e poucos segredos para guardar. Um sorriso diferente diferente, e enxergamos o problema ou até a solução. O mundo, nos entende em pedaços – Uma vida no brasil, festas na Alemanha, 4 línguas numa só casa e nenhuma delas necessárias para entender.
O dia a dia é cheio de brigas e discussões. Tento a cada momento passar tudo de bom que tenho pra ele, corrigir meus defeitos em outra pessoa e construir uma versão melhor de mim, todo dia impressionado com o resultado. Pensamos no que queremos atingir na vida, e o objetivo sempre é deixar algo verdadeiro para o mundo. O meu já esta ali, correndo pelo mundo e fazendo, uma por uma, as pessoas mais felizes com essa personalidade de outro mundo. Em qualquer festa, qualquer praia ou num meio de uma tarde qualquer, ele sabe olhar nos olhos, tocar a alma e ver realmente o que está faltando para tornar um momento qualquer, em mais uma lembrança perfeita. A festa perfeita é ver todos sorrindo, cantando, dançando e com um novo amor que torne a vida mais leve e feliz. Quem diria que ainda existem pessoas assim?

307701_462123933821090_1595199806_nMeu papel agora acabou. 18 anos, formado e solto pelo mundo, pronto para explorar todas aventuras, erros e amores pelos quais já passei, e fazer melhor. O que me resta é algum dia, conhecer a menina linda e perfeita que vai conquistar seu coração e estar lá pra dizer “Parabéns! Melhor impossível!”, e poder sair com aquele sorriso maroto de quem sabe muito do que esta falando.

Johannes Jung – 24.06.2011

Esse texto já tem alguns anos, mas ainda vale 🙂

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